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A Tribo dos Sonhos
A Tribo dos Sonhos
Júlio Constantino| Tiago Fiadeiro| Gustavo Januário| José Carlos Barreto | André Grilo
quinta-feira, setembro 01, 2005

Os fins das coisas

Depois de quase dois anos e 30.000 visitas, com altos e baixos, com escrita alegre ou com lágrimas, sóbria ou não, com sonhos cor-de-rosa, verdes, azuis ou de outras cores, acaba hoje a minha participação neste blog. Esta decisão, depois de uma ausência notada, não será inesperada. É natural. Sem pena, mágoas ou chatices. Acabou. Puf! Sem razão nenhuma. Apenas deixou de fazer parte do meu dia-a-dia escrever aqui. Não quer isto dizer que deixei de sonhar. Sonho e sonharei sempre, é isso que me mantém vivo.

Ao Tiago, Gustavo, Zé Carlos e Grilo aqui deixo o meu abraço.

Júlio Constantino

quinta-feira, agosto 11, 2005

Promontório das curiosidades #3
No “corredor” de acesso ao FIB, um caminho mal iluminado onde os nomes de todas as drogas existentes nos são sussurrados a cada passo por pessoas cujo último banho lhes foi dado pela própria mãe, há também prostituição.
TF

segunda-feira, julho 25, 2005

Promontório das curiosidades #2.1
O quarto que o Correia das Neves arrendou tinha 20 m2, mais coisa menos coisa...
TF

Promontório das curiosidades #2
Silvino Correia das Neves chegou a arrendar, no final dos anos 80, um quarto na Alta de Coimbra por 5 mil escudos (cerca de 25 euros).
TF

sexta-feira, julho 22, 2005

Promontório das curiosidades #1
O rio Mukatiróxiribitátátátá, em Madagáscar, galgou as margens...
TF

terça-feira, julho 19, 2005

A nota da cadeira que tinha pra fazer desde o 1º ano saiu. Tá feita! Foi a última cadeira... Agora falta só o exame final de curso, tá quase!
Júlio

sábado, julho 16, 2005

Route 66

Para o ano, Mano Velho...
Está combinado!!!
TF

quinta-feira, julho 14, 2005


TF

quarta-feira, julho 13, 2005

Hoje fiz mais um exame. O segundo exame em duas semanas q dura mais de quatro horas e meia!
Não consigo perceber pq isto acontece e por isso no final, perguntei ao professor o porquê de os exames serem assim.
O professor, respondeu: "vocês é que não estudam nada, no meu tempo era pior, este exame durava oito horas!"
Só me restou olhar para ele e exprimir um "Ah,pois!"

AG

segunda-feira, julho 11, 2005

EARLY MORNING BLOGS

The wisest men follow their own direction. Euripides


Bom dia!
Júlio

domingo, julho 10, 2005

"Pedimos desculpa pela emissão, a interrupção segue dentro de momentos!"

AG

quarta-feira, julho 06, 2005

Abjecto

Este homem... este ser... como é possível????
Júlio

quinta-feira, junho 30, 2005

Hoje fiz o exame da minha última cadeira. E saí de lá sem conseguir saber se correu bem ou mal... Mas pelo menos um peso já saiu de cima de mim. Agora, se tiver corrido mal, só em setembro. Até lá, não me doa a cabeça.
Júlio

sábado, junho 25, 2005

Há dias...
Há dias em que não nos chegamos a deitar. Há dias em que não nos chegamos a levantar.
São os melhores!!!...
TF

The Graduate

Um tributo ao cinema e às pessoas que ainda gostam de ver filmes.
A velha e perene fantasia adolescente com aquela paixão puramente física, sem amor e sem compromissos.
A ausência do falso moralismo, hoje tão frequente.
O não ter de se explicar tudo aliado àquele silêncio tão bonito quanto dramático.

Longe ainda do grande estrelato, Dustin Hoffman. E aquela mulher tão linda e tão má. Mrs. Robinson como na música. A Anne Bancroft no seu esplendor!

E espalhado pelo filme inteiro: o som do silêncio de uma manhã de Quarta-feira (em 64) da vida do Paul Simon.

People writing songs that voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence.

GJ

The Sound of Silence

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,

Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dare
Disturb the sound of silence.

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you.
" But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said,
"The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.

Paul Simon



sexta-feira, junho 24, 2005

Afinal há uma solução, caros leitores da Tribo, e não passa por deixarmos de poluir!
Aqui está!

AG

quarta-feira, junho 22, 2005

Passeai, flores!... #2

ao jantar:

- Diogo, estás com o cabelo enorme, tens que o cortar.
- Ai não, mãe, que eu quero ir sexy para a escola!
- Ir "sexy"? Mas que raio é isso de ir" sexy"?
- Quero ir muita giro para impressionar a Mariana...Bem, mas agora também não vale a pena porque ela está em casa com uma conjunvite.

(breve pausa, seguida de uma garfada)

- ...o que só prova que nascemos um para o outro: eu também já tive uma conjuntivite.

TF

Passeai, flores!... #1

- Pai, um dias vai morrer, não vais?
- Vou, Joãozinho, todas as pessoas morrem, mas não te preocupes que ainda falta muito tempo.

(pausa)

- Pai...
- Diz.
- Prometes que, antes de morreres, me ensinas todas as coisas do mundo?

TF

terça-feira, junho 21, 2005


TF

sábado, junho 18, 2005

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Tou farto. Tou farto de ligar a televisão e ver gente a queixar-se, são os professores, são os juizes, os polícias, os médicos, estudantes, agricultores, racistas, incendiários, banhistas arrastados,assaltados nos comboios, e mais, e mais e mais!

Vou deixar de ver televisão.

AG


segunda-feira, junho 13, 2005


Obrigado por tudo.
Júlio

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

Júlio

sábado, junho 11, 2005

Há quem diga...

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro.

Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

(...) Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.


Elogio ao amor (Miguel Esteves Cardoso - Expresso )
...eu tirei daqui. Obrigado.
TF

quinta-feira, junho 09, 2005

O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam. Mas, para os que amam, o tempo é eternidade.
William Shakespeare

O tempo deixa de o ser. Passa a ser outra coisa qualquer. Angústia, felicidade, sorrisos, amor, lágrimas.. mas sempre sem corpo para se atirar, sem luz para se apagar. Transforma-se no que quer. Vive disso.
Numa unidade de tempo tudo muda.. numa unidade de Vida!!!...
TUDO!!!, em círculos de vontades, descobertas, certezas, inseguranças, medos, alegrias...
Mas fica sempre Algo. Comparsa do tempo. Também não se agarra, nem se vê. Por vezes cheira!...
É eterno!!!

TF

Cindy
Há bués da times, havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela. A Cinderela (Cindy p'ós amigos), parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails. Com este desatino todo, só lhe apetecia dar defrosques, porque a madrasta fazia-lhe bué da cenas.
É então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer: Uma rave!!! A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa durante um coché, apareceu-lhe uma fada do baril que lhe abichou uma farda baita bacana, ela ficou a parecer uma g'anda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 12. Tás a ver?
A tipa mordeu o esquema e foi para a borga sempre a bombar. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou logo ali. Aí a Cindy, passou-se dos carretos, desbundaram "ól naite long", até que ao ouvir as 12, ela teve de se axandrar e bazou.
O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no chanato. Como era um alta cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que ficaram anhar.
Fim: Tá-se bem.
TF

domingo, junho 05, 2005

Quem diria?!?


Que personagem do Seinfeld é você?
TF

quinta-feira, junho 02, 2005

O tempo é a única prova segura de tudo. Não só é o crítico mais severo; é o crítico recto e preciso. Ninguém pode julgar do valor disto ou daquilo num momento, porque só o tempo o pode fazer. O tempo dar-lhe-á o valor que merece.
Alfred Montapert, in
A Suprema Filosofia do Homem

- Olá!
- Olá. Boa noite.
- Então?!?...que voz é essa?
- Há quanto tempo!!!...nada, não se passa nada. E tu, estás boa?!?
- Sim...
- Não!!!...não está nada...que se passa?!?
- Tudo!!!
- Como assim?!?...
- ...
- Estás aí?!?
- Sim...
- Então diz-me o que se passa...
- Nada...e tu, estás aí?!?
- Sim...
- Até quando?!?
- Desde sempre...
- Lembrei-me...
- De quê?!?
- De tudo....
- Saudades?!?...
- Não!!!...vontades.
- Pois...a vida dá cada volta!!!...e agora?!?
- Agora...agora vou dormir...já estou com sono...
- Vai lá...Boa noite e dorme bem. Vai dando notícias...
- Mais?!?
- Sim...preciso de muito mais!!!...
- Depois ligo. Beeeeiiiijo
- Beijo
- Espera!!!...tinhas razão...
- Eu sei...vá, não penses nisso agora. Liga-me depois...
- Ok. Beijo.
- Beeeeeeeijo...

TF

quarta-feira, junho 01, 2005

Eu não vou postar durante uns tempos. A minha vida está um bocado caótica (to say the least). Tenho um curso, longo, que gostaria de acabar no fim de Julho. Era bom.
Até breve.
Júlio

terça-feira, maio 31, 2005

Na Tribo dos Sonhos

Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior

Na tribo dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na tribo dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na tribo dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Andava eu sózinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer

Na tribo dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na tribo dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na tribo dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar

Na tribo dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na tribo dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na tribo dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

(achei piada...)
TF

sexta-feira, maio 27, 2005

Todas as Cartas de Amor são Ridículas

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos
TF

Erro...

Se não houver esperanças de que o teu amor seja recebido, o que tens a fazer é não o declarar. Poderá desenvolver-se em ti, num ambiente de silêncio. Esse amor proporciona-te então uma direcção que permite aproximares-te, afastares-te, entrares, saíres, encontrares, perderes. Porque tu és aquele que tem de viver. E não há vida se nenhum deus te criou linhas de força.
Se o teu amor não é recebido, se ele se transforma em súplica vã como recompensa da tua fidelidade, se não tens coração para te calares, nessa altura vai ter com um médico para ele te curar. É bom não confundir o amor com a escravatura do coração. O amor que pede é belo, mas aquele que suplica é amor de criado.
Se o teu amor esbarra com o absoluto das coisas, se por exemplo tem de franquear a impenetrável parede de um mosteiro ou do exílio, agradece a Deus que ela por hipótese retribua o teu amor, embora na aparência se mostre surda e cega. Há uma lamparina acesa para ti neste mundo. Pouco me importa que tu não possas servir-te dela. Aquele que morre no deserto tem a riqueza de uma casa longínqua, embora morra.
Se eu construir almas grandes e escolher a mais perfeita para a rodear de silêncio, ficarás com a impressão de que ninguém recebe nada com isso. E, no entanto, ela enobrece todo o meu império. Quem quer que passa ao longe, prosterna-se. E nascem os sinais e os milagres.
Não importa que o amor que alguém nutre por ti seja um amor inútil. Desde que tu lhe correspondas, caminharás na luz. Grande é a oração à qual só responde o silêncio; basta que o deus exista.
Se o teu amor é aceite e há braços que se abrem para ti, então pede a Deus que salve esse amor de apodrecer. Eu temo pelos corações cumulados.

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"
TF

terça-feira, maio 24, 2005

Ode à Leonor

Todas as mulheres do mundo deviam ter um pouco de ti.
Um pouco do teu carisma, dessa tua maneira de ser. Da tua impulsividade que é capaz de deitar abaixo qualquer homem. Dessa tua força interior que é capaz de rebater qualquer argumento mesmo que válido.
Exibes, com naturalidade, a faceta que a maior parte das mulheres escondem. Escondem-na porque lhes dá poder. Mas que te importa a ti o que as outras fazem e porque o fazem, se já descobriste há muito tempo, que se quisesses o farias melhor que elas...

Nunca deixaste de querer e lutar por isso; E talvez tenhas nascido um pouco tarde, porque hoje, aqui e agora, talvez não haja causas tão nobres.
Imagino-te uma heroína de Abril, uma Cavaleira das Cruzadas, uma Dama da Revolução Francesa, uma guerreira Amazona da Grécia antiga…

E porquê esta Ode?
Simplesmente porque me apeteceu!

Eu tenho ideias e razões,
Conheço a cor dos argumentos
E nunca chego aos corações.
Pessoa( lido por GJ)

segunda-feira, maio 23, 2005

Tiveram mais pontos que todos as outros...
...são campeões.
Sei bem qual é essa sensação.
Parabéns!

(acho que nem em todos os campeonatos ganhos pelo FCP nos últimos anos, o Pinto da Costa teve tantas dedicatórias!)
TF

sábado, maio 21, 2005

A "música" portuguesa no Festival da Eurovisão
Quando era criança todos nos juntavamos à volta da TV para ver o festival. E Portugal ficava sempre com péssimos lugares.
Hoje ninguém vê aquilo, a não ser para rir um pouco com a imutabilidade do Eládio Clímaco.
Agora, nem ao festival vamos. As músicas são tão más! Já não se fazem Cids como antigamente!
Júlio

sexta-feira, maio 20, 2005

Postelaria
Então? Não postas?
Não. Não sei postar.


Sim, é verdade, já nao sei postar.
Acontece.
Aos melhores.
E aos piores.
E aos moderadamente...

Júlio

terça-feira, maio 17, 2005


PASTELARIA

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra


Mário Cesariny
in Nobilíssima Visão (1945-1946)
TF


Retomaremos a emissão dentro de momentos...

domingo, maio 15, 2005

Este blog entra agora em período de balanço.
Até breve.

sexta-feira, maio 06, 2005

Balada de Despedida do 5º ano Jurídico de 88/89

Sentes que um tempo acabou
Primavera da flor adormecida
Qualquer coisa que não volta, que voou
E foi um triunfar na tua Vida.

E levas em ti guardado
Um choro de um balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra.

Capa negra de Saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo para a Vida.

Tu sabes que desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar
E no lento cerrar dos olhos teus
Fica a esperança de um dia aqui voltar.

TF

quarta-feira, maio 04, 2005

Nem sequer faz sentido andar por aqui a esta hora...
Júlio

domingo, maio 01, 2005

Chuva

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera

Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

Jorge Fernando - cantado por Mariza

TF

sábado, abril 30, 2005

Acorda Tiago!!!!
Júlio

sexta-feira, abril 29, 2005

Esgotos :)
The set of all points in the plane, the sum of whose distances from two fixed points, called the foci, is a constant. (“Foci” is the plural of “focus”, and is pronounced FOH-sigh.) Sometimes this definition is given in terms of “a locus of points” or even “the locus of a point” satisfying this condition – it all means the same thing.
Júlio

quinta-feira, abril 28, 2005


Há sonhos que carregamos connosco durante anos, ora adormecendo-os nas canseiras da vida, ora despertando-os na ternura com que começamos a descer as encostas do tempo, ora acedendo neles à lucidez poética que a administração dos dias nos vais negando. (...)

João Maria André - Bonifrates
TF

segunda-feira, abril 25, 2005

Lembro-me de ti, menina, com o teu top branco Moschino.Alta, magra e muy formosa.
Lembro-me de termos trocado beijos sem paixão, fruto daqueles anos de adolescência e de experiências com sucesso discutível.
Lembro-me de nunca termos dito aquelas coisas que os amantes dizem uns aos outros no calor do momento, pois nunca sentimos isso um pelo outro.

Recordo-me daquele banco na rua larga onde nos sentámos agarrados, e trago no coração aquela frase escrita em maiúsculas atrás de nós numa parede da Faculdade centenária(?) de Medicina:

25 de Abril Sempre...

GJ

Bom dia, Abril!


Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade

Júlio


sexta-feira, abril 22, 2005

PASSAGEM DAS HORAS

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...
Yat-lô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô...Ghi-...
E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade...
A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol...
Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...
Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagáscar...
Tempestades em torno ao Guardafui...
E o Cabo&da&Boa&Esperança nítido ao sol da madrugada...
E a Cidade&do&Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me.
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.

Não sei se a vida é pouco ou de mais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contactos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há-de ser de mim? Que há-de ser de mim?

Correram o bobo a chicote do palácio, sem razão,
Fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra.
Bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos.
Oh, mágoa imensa do mundo, o que falta é agir...
Tão decadente, tão decadente, tão decadente...
Só estou bem quando ouço música, e nem então.
Jardins do século dezoito antes de 89,
Onde estais vós, que eu quero chorar de qualquer maneira?

Como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo,
A tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai.

Acenderam as luzes, cai a noite, a vida substitui-se.
Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver.
Arde-me a alma como se fosse uma mão, fisicamente.
Estou no caminho de todos e esbarram comigo.
Minha quinta na província,
Haver menos que um comboio, uma diligência e a decisão de partir entre mim e ti.
Assim fico, fico... Eu sou o que sempre quer partir,
E fica sempre, fica sempre, fica sempre,
Até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica...

Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.
Só humanitariamente é que se pode viver.
Só amando os homens, as acções, a banalidade dos trabalhos,
Só assim – ai de mim! –, só assim se pode viver.
Só assim, ó noite, e eu nunca poderei ser assim!

Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco – não sei qual – e eu sofri.
Vivi todos as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda a gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a excepção, o choque, a válvula, o espasmo.

Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.
Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
Mágoa externa da Terra, choro silencioso do Mundo.
Mão suave e antiga das emoções sem gesto,
Irmã mais velha, virgem e triste, das ideias sem nexo,
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,
A direcção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, ó mãe, a nossa perdida vida...

Não sei sentir, não sei ser humano, conviver
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Uma razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma coisa vinda directamente da natureza para mim.

Por isso sê para mim materna, ó noite tranquila...
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência da luz,
Tu que não és uma coisa, um lugar, uma essência, uma vida,
Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,
Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, ó noite, sobre a minha fronte...

Tu, cuja vinda é tão suave que me parece um afastamento,
Cujo fluxo e refluxo de treva, quando a lua bafeja,
Tem ondas de carinho morto, frio de mares de sonho,
Brisas de paisagens supostas para a nossa angústia excessiva...
Tu, palidamente, tu, flébil, tu, liquidamente,
Aroma de morte entre flores, hálito de febre sobre margens,
Tu, rainha, tu, castelã, tu, dona pálida, vem...

Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquele com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor, abstracta,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de carácter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas –
Todos são a minha amante predilecta pelo menos um momento na vida.
Beijo na boca todas as prostitutas,
Beijo sobre os olhos todos os souteneurs,
A minha passividade jaz aos pés de todos os assassinos,
E a minha capa à espanhola esconde a retirada a todos os ladrões.
Tudo é a razão de ser da minha vida.

Cometi todos os crimes,
Vivi dentro de todos os crimes
(Eu próprio fui, não um nem o outro no vício,
Mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,
E dessas são as horas mais arco-de-triunfo da minha vida).

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.
Os braços de todos os atletas apertaram-me subitamente feminino,
E eu só de pensar nisso desmaiei entre músculos supostos.

Foram dados na minha boca os beijos de todos os encontros,
Acenaram no meu coração os lenços de todas a despedidas,
Todos os chamamentos obscenos de gestos e olhares
Batem-me em cheio em todo o corpo com sede nos centros sexuais.
Fui todos os ascetas, todos os postos-de-parte, todos os como que esquecidos,
E todos os pederastas – absolutamente todos (não faltou nenhum).
Rendez-vous a vermelho e negro no fundo-inferno da minha alma!

(Freddie, eu chamava-te Baby, porque tu eras louco, branco e eu amava-te,
Quantas imperatrizes por reinar e princesas destronadas tu foste para mim!
Mary, com quem eu lia Burns em dias tristes como sentir-se viver,
Mary, mal tu sabes quantos casais honestos, quantas famílias felizes,
Viveram em ti os meus olhos e o meu braço cingindo e a minha consciência incerta,
A sua vida pacata, as suas casas suburbanas com jardim, os seus half-holidays inesperados...
Mary, eu sou infeliz...
Freddie, eu sou infeliz...
Oh, vós todos, todos vós, casuais, demorados,
Quantas vezes tereis pensado em pensar em mim sem que o fizésseis,
Ah, quão pouco eu fui no que sois, quão pouco, quão pouco –
Sim, e o que tenho eu sido, ó meu subjectivo universo,
Ó meu sol, meu luar, minhas estrelas, meu momento,
Ó parte externa de mim perdida em labirintos de Deus!
Passa tudo, todas os coisas num desfile por mim dentro,
E todas as cidades do mundo, rumorejam-se dentro de mim...

Meu coração tribunal, meu coração mercado, meu coração sala da Bolsa, meu coração balcão de Banco,
Meu coração rendez-vous de toda a humanidade.
Meu coração banco de jardim público, hospedaria, estalagem, calabouço número qualquer coisa
(«Aqui estuvo el Manolo en vísperas de ir al patibulo»).
Me coração clube, sala, plateia, capacho, guichet, portaló,
Ponte, cancela, excursão, marcha, viagem, leilão, feira, arraial,
Meu coração postigo,
Meu coração encomenda,
Meu coração carta, bagagem, satisfação, entrega,
Meu coração a margem, o limite, a súmula, o índice,
Eh-lá, eh-lá, eh-lá, bazar o meu coração.

Todos os amantes beijaram-se na minh'alma,
Todos os vadios dormiram um momento em cima de mim,
Todos os desprezados encostaram-se um momento ao meu ombro,
Atravessaram a rua, ao meu braço, todos os velhos e os doentes,
E houve um segredo que me disseram todos os assassinos.

(Aquela cujo sorriso sugere a paz que eu não tenho,
Em cujo baixar-de-olhos há uma paisagem da Holanda,
Com as cabeças femininas coifées&de&lin
E todo o esforço quotidiano de um povo pacífico e limpo...
Aquela que é o anel deixado em cima da cómoda,
E a fita entalada com o fechar da gaveta,
Fita cor-de-rosa, não gosto da cor mas da fita entalada,
Assim como não gosto da vida, mas gosto de senti-la...

Dormir como um cão corrido no caminho, ao sol,
Definitivamente para todo o resta do Universo,
E que os carros me passem por cima.)

Fui para a cama com todos os sentimentos,
Fui souteneur de todas os emoções,
Pagaram-me bebidas todos os acasos das sensações,
Troquei olhares com todos os motivos de agir,
Estive mão em mão com todos os impulsos para partir,
Febre imensa das horas!
Angústia da forja das emoções!

Raiva, espuma, a imensidão que não cabe no meu lenço,
A cadela a uivar de noite,
O tanque da quinta a passear à roda da minha insónia,
O bosque como foi à tarde, quando lá passeámos, a rosa,
A madeixa indiferente, o musgo, os pinheiros,
Toda a raiva de não conter isto tudo, de não deter isto tudo,
Ó fome abstracta das coisas, cio impotente dos momentos,
Orgia intelectual de sentir a vida!

Obter tudo por suficiência divina –
As vésperas, os consentimentos, os avisos,
As coisas belas da vida –
O talento, a virtude, a impunidade.
A tendência para acompanhar os outros a casa,
A situação de passageiro,
A conveniência em embarcar já para ter lugar,
E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase,
E a vida dói quanto mais se faz e quanto mais se inventa.

Poder rir, rir, rir despejadamente,
Rir como um copo entornado,
Absolutamente doido só por sentir,
Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,
Ferido na boca por morder coisas,
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,
E depois dêem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida,

Sentir tudo de todas as maneiras,
Ter todas as opiniões,
Ser sincero contradizendo-se a cada minuto,
Desagradar a si-próprio pela plena liberdade de espírito,
E amar as coisas como Deus.

Eu, que sou mais irmão de uma árvore que de um operário,
Eu, que sinto mais a dor suposta do mar ao bater na praia
Que a dor real das crianças em quem batem
(Ah, como isto deve ser falso, pobres crianças em quem batem –
E por que é que as minhas sensações se revezam tão depressa? –
Eu, enfim, que sou um diálogo contínuo,
Um falar-alto incompreensível, alta-noite na torre,
Quando os sinos oscilam vagamente sem que mão lhes toque
E faz pena saber que há vida que viver amanhã.
Eu, enfim, literalmente eu,
E eu metaforicamente também,
Eu, o poeta sensacionista, enviado do Acaso
Às leis irrepreensíveis da Vida,
Eu, o fumador de cigarros por profissão adequada,
O indivíduo que fuma ópio, que toma absinto, mas que, enfim,
Prefere pensar em fumar ópio a fumá-lo
E acha mais seu olhar para o absinto a beber que bebê-lo...
Eu, este degenerado superior sem arquivos na alma,
Sem personalidade com valor declarado,
Eu, o investigador solene das coisas fúteis,
Que era capaz de ir viver na Sibéria só por embirrar com isso,
E que acho que não faz mal não ligar importância à pátria
Porque não tenho raiz, como uma árvore, e portanto não tenho raiz...
Eu, que tantas vezes me sinto tão real como uma metáfora,
Como uma frase escrita por um doente no livro da rapariga que encontrou no terraço,
Ou uma partida de xadrez no convés dum transatlântico,
Eu, a ama que empurra os perambulators em todos os jardins públicos,
Eu, o polícia que a olha, parado para trás na álea,
Eu, a criança no carro, que acena à sua inconsciência lúcida com um coral com guizos.
Eu, a paisagem por detrás disto tudo, a paz citadina
Coada através das árvores do jardim público,
Eu, o que os espera a todos em casa,
Eu, o que eles encontram na rua,
Eu, o que eles não sabem de si próprios,
Eu, aquela coisa em que estás pensando e te marca esse sorriso,
Eu, o contraditório, o fictício, a aranzel, a espuma,
O cartaz posto agora, as ancas da francesa, o olhar do padre,
O largo onde se encontram as suas ruas e os chauffeurs dormem contra os carros,
A cicatriz do sargento mal encarado,
O sebo na gola do explicador doente que volta para casa,
A chávena que era por onde o pequenito que morreu bebia sempre,
E tem uma falha na asa (e tudo isto cabe num coração de mãe e enche-o)...
Eu, o ditado de francês da pequenita que mexe nas ligas,
Eu, os pés que se tocam por baixo do bridge sob o lustre,
Eu, a carta escondida, o calor do lenço, a sacada com a janela entreaberta,
O portão de serviço onde a criada fala com os desejos do primo.
O sacana do José que prometeu vir e não veio
E a gente tinha uma partida para lhe fazer...
Eu, tudo isto, e além disto o resto do mundo...
Tanta coisa, as portas que se abrem, e a razão por que elas se abrem,
E as coisas que já fizeram as mãos que abrem as portas...
Eu, a infelicidade – nata de todas as expressões,
A impossibilidade de exprimir todos os sentimentos,
Sem que haja uma lápide no cemitério para o irmão de tudo isto,
E o que parece não querer dizer nada sempre quer dizer qualquer coisa...
Sim, eu, o engenheiro naval que sou supersticioso como uma camponesa madrinha,
E uso monóculo para não parecer igual à ideia real que faço de mim,
Que levo às vezes três horas a vestir-me e nem por isso acho isso natural,
Mas acho-o metafísico e se me batem à porta zango-me,
Não tanto por me interromperem a gravata como por ficar sabendo que há a vida...
Sim, enfim, eu o destinatário das cartas lacradas,
O baú das iniciais gastas,
A entonação das vozes que nunca ouviremos mais –
Deus guarda isso tudo no Mistério, e às vezes sentimo-lo
E a vida pesa de repente e faz muito frio mais perto que o corpo.
A Brígida prima da minha tia,
O general em que elas falavam – general quando elas eram pequenas,
E a vida era guerra civil a todas as esquinas...
Vive le mélodrame où Margot a pleuré!
Caem as folhas secas no chão irregularmente,
Mas o facto é que sempre é Outono no Outono,
E o Inverno vem depois fatalmente,
E há só um caminho para a vida, que é a vida...

Álvaro de Campos

Talvez lho leve. Para que saiba como sou...
TF

quinta-feira, abril 21, 2005

O TEU RISO

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda
TF

Fumo agora tabaco barato, que me arranha; daquele que até parece que mata…
TF

Não se pode procurar se não se quer procurar!!!

Se está em causa a luta pela felicidade, pelo “homem perfeito”, pela “mulher perfeita” a vontade de procurar só pode estar associada ao respeito e à verdade, caso contrário apenas se tenta camuflar a ausência dela, num círculo vicioso…
Quando a inteireza habita e se diz Sentir, a dedicação é factor de luta e a vontade é arma do sonho.

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."

Ricardo Reis

TF

segunda-feira, abril 18, 2005

Hoje, uma amiga de longa data, confidenciou-me um segredo:

"As mulheres procuram sempre o homem perfeito....que seja tudo!, mas por favor deixem-nas procurar, elas não querem encontrar!!!!! A luta e a busca é o que mantem uma mulher apaixonada..."

TF

Notes on flatus

"O que seria altamente embaraçoso num qualquer salão social é música celestial para os ouvidos de um Cirurgião." - A.F.

Júlio

quarta-feira, abril 13, 2005

brilhante!!!
JC

domingo, abril 10, 2005

Agora parece que se tornou hábito...
Só posto do clepsidra!!!
eheheheh
Enfim... vidas...
Gostava que ficasse escrito que:
É URGENTE...
...arranjar um vida...
...fazer a Pova Final...
...não amar quem quero amar...
Ah!!!...e beber o mais possível!!!!
TF

Agora parece que se tornou hábito...
Só posto do clepsidra!!! eheheheh
Enfim... vidas...
Gostava que ficasse escrito que:
É URGENTE...
...respeitarmo-nos a nós próprios.
...respeitar os outros.
...mandar embora a nuvem negra sobre as nossas cabeças.
...respirar fundo, correr, ler, pensar e ir atrás do que mexe connosco.
...dizer aos meu avós que os adoro.
JC

sábado, abril 09, 2005

Carta

Não falei contigo
com medo que os montes e vales que me achas
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça bem ao escudo que és...

Saudade é o ar
que vou sugando e aceitando
como fruto de Verão
nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a pairar sobre o mundo
e tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua
numa chama minha e tua.

Desconfio que ainda não reparaste
que o teu destino foi inventado
por gira-discos estragados
aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização do coração
são leis como paredes e tetos
cujos vidros vais pisando...

Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os teus números
raízes quadradas de somas subtraídas
sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso do teu gesto mimado
e à palma da tua mão...

É que hoje acordei e lembrei-me
que sou mago feiticeiro
e a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua
Numa chama minha e tua.


Desculpa se te fiz fogo e noite
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos Deuses...
mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
como refúgio dos meus sentidos
pedaço de silêncios perdidos
que voltei a encontrar em ti...

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não te deste a ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.

Toranja

Como TUDO faz tanto sentido...Apetecia-me a música toda a BOLD , em letras garrafais!!!...mas não o vou fazer, tu conheces a letra bem demais...

TF

A Gente Vai Continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Jorge Palma
TF

domingo, abril 03, 2005

E quando termina um sonho?!
...acordamos?!...só se tivermos que fazer, só se tivermos que dormir, só se tivermos que acordar...

...desistir sempre foi mais fácil que lutar...
...desistir sempre foi o lugar dos fracos...
...desistir sempre foi o fim cruel de quem quer acordar dos sonhos...
...o acto de desistir sempre me fez esquecer o que não sentia esquecer...
...e nunca me senti tão impotente!...afinal descobri que a loucura da crença, o sacrifício do acreditar não vale o esforço...porque há sempre 2 partes....

A camisa é a mesma e o coração não me a deixa tirar. Quero e gosto de sofrer com o que não sou e quero ser,
vivo com o desgosto eterno do nunca que sonhei ser o sempre...

TF

Agridoce
Tudo é agridoce...
E muita cerveja corta o agridoce, não é?!.. Dizem que sim...
Nunca me dei bem com a vida agridoce...Luto pelo "Agri", a todo o custo...
O "doce", já entendi que não vale a pena...

Estou cansado!!!!.............................

TF

A minha profecia cumpriu-se e Woytila segundo morreu a 2 de Abril de 2005. Tenho eu 25 anos e tanto ouvi falar dele. Dizem que foi um marco do século XX. Terá sido, na maneira em que influenciou tantas pessoas. Foi no meu ponto de vista um dos responsáveis máximos pela morte de milhares de infectados com o vírus da Sida. Tal como foi Leonor Beleza, noutra escala. A responsabilidade moral não deixa de ser responsabilidade.

Não sou católico. A sua morte não me choca. Ou talvez me choque mais do que aos católicos para os quais as portas de cristo se abriram para ele e a encaram com tanta naturalidade. A morte choca-me. Todas as mortes me chocam e ao mesmo tempo me são tão naturais. A máquina humana falha tanto.
Acredito que quando morremos tudo acaba. TUDO.

Ele saberá neste momento melhor do que eu. Ou então não sabe nada. NADA. Porque morreu. Acabou.
Há tanta gente cuja morte me marca pelo sentimento de perda. Não foi este o caso.
Júlio

segunda-feira, março 28, 2005

Mais uma vez, a Tribo tem enviados por esse mundo!
Deixo um abraço de Londres..essa grande cidade que temm Tugas a perder de vista!

AG (London-UK)

domingo, março 27, 2005

Just a quick hello
para dizer que este país é muito, mas mesmo muito bom.
Estou a pensar se vou voltar para Portugal ou não...
Júlio

segunda-feira, março 21, 2005

Livro
Daqui a 36 horas estarei a embarcar para o Brasil. A minha primeira viagem transatlantica. Durante 12 dias vou curtir e descansar, as duas coisas que mais preciso de fazer. Para a parte do curtir não peço conselhos, mas para o descanso alguém me diz que livro deverei ler? Aceitam-se sugestões nos comentários.
Júlio

domingo, março 20, 2005

GSF
Quando ele lhe diz que precisam de falar. E que têm de ir tomar um café. Naquele café de sempre, quase secreto, num primeiro andar escondido.
Então ele sabe. Vem aí mudança. O coração, bomba ejectora da vida, ejectara-o...
E entre um café e três finos são expurgadas e dissecadas as razões. E espiados todos os pecados. O segredo é partilhado.
O ritmo de escrita altera-se.
Júlio

segunda-feira, março 14, 2005

R.S.

Costumava sonhar, acordado, que conseguia levantar-se da cama e pôr-se de pé, embora aqueles membros atrofiados e esqueléticos já não lhe pertencessem nem aguentassem o seu peso.
Costumava sonhar, acordado que voava pela janela e percorria, levitando, os campos da galiza e chegando à praia, mar adentro.
A mesma praia cuja areia lhe tirou a liberdade e onde uma mão,não revelada, impediu o sossego desejado.
Conheceu e amou a vida como poucos. E quando esta o abandonou quis morrer.

Ramón Sampedro morreu sozinho numa casa alugada.

GJ

domingo, março 13, 2005

'Eu boicoto as coimbrinhas, boicota tu também!' (TR)

Nunca esta frase fez tanto sentido como na noite passada!

AG

sexta-feira, março 11, 2005

Figueira Revisited

Deveríamos ter sempre em nós a eterna juventude dos 16 anos. De ouvir e cantar os Pulp e o disco 2000, os Manic Street Preachers e a música Design for life, estar na Figueira nos tempos em que ainda havia sol e mulheres bonitas que tinham a nossa idade.
Esses eram os tempos em que a inocência fazia parte da nossa vida, cada passo era uma aventura de descoberta. Tudo era novo e o instinto guiava as nossas opções. A razão perdia-se nas noites ébrias de felicidade.

Hoje tudo se sucede racionalmente. Alguém espera sempre alguma coisa de nós. As descobertas são raras e nem sempre apetecíveis, o mundo ficou mais escuro e mais negro e os dias passam mais rapidamente. Continuamos enganados pois pensamos ainda ter lugar num mundo que já não é o nosso, pois o nosso tempo passou e daquele mundo antigo restam apenas as lembranças pessoais que nunca coincidem com as dos outros.

Resquícios de um mundo antigo em que ainda havia patinhos em albufeira, desembarques da Normandia na ilha do pessegueiro, charros enrolados sobre o livro os filhos da droga, gold strike que deveria durar uma semana mas que afinal só durou uma noite.
Esses eram os tempos dos namoros apaixonados que hoje já não existem, em que não havia telémoveis, as raparigas não usavam mini-saia, a tanga aparentemente estava proscrita (obrigado meu Deus por a inventares) e um grupo de rapazes deambulava entre a Figueira e Coimbra num comboio antigo, dia após dia, na procura de um lugar melhor.

GJ

sábado, março 05, 2005

A Day in the Life

Costumavas descer as escadas quando me vias a chegar. Hoje subo para te ajudar e já não me esperas à janela.
O teu cabelo ficou grisalho por tua opção. As tuas mãos, como doce papiro, ainda fazem a delícia da minha face quando lhe tocas. Os teus olhos que acompanharam as mudanças do século passado vêem hoje melhor do que viram muitas vezes.
O mundo mudou tanto desde a primeira vez que o viste que já não é o mesmo. A tua história é a da vida e da mudança inerente. Suprema vontade de viver e de te adaptares que herdaste da força das mulheres tuas antepassadas, mais fortes e guerreiras que muitos conquistadores.
Trabalhaste a vida toda com tanta vontade que quando chegou a hora de te ires embora tiveram de te obrigar a sair. Mas saíste sempre de cabeça levantada e é ainda assim que sais da tua casa quando te vou buscar, pois nunca olhas para os degraus que se sucedem e me deixas sempre angustiado.

GJ

quinta-feira, março 03, 2005

Com a verdade me enganas…e me fizeste feliz…

Existem pessoas que por serem como são não cabem na nossa cabeça. Então, depositam-se no coração onde dispõem de um lugar próprio e permanecem inesquecíveis...

Consciente que jamais voltaria a transpor aquela fortificação tão perfeita fui obrigado a tornar-me invisível sem querer acreditar. As Cidades Ideais dos tratados renascentistas eram exemplares e o rigor da geometria protegia o ataque das balas de canhão. A grande maioria nunca foi construída mas ainda assim sorri. De forma ingénua pensei que a partir desse instante jamais estaria ausente, permanecendo de forma eterna no lugar que sempre sonhei…
TF

quarta-feira, março 02, 2005

Convívio + Economia
Pavilhão dos Olivais
5ª feira, 3.Março.05
Júlio

terça-feira, março 01, 2005

William, não consegues exprimir as tuas emoções?
Júlio

domingo, fevereiro 27, 2005

Ontem fui ao cinema ver o Constantine.
Até gosto da vedeta principal deste filme e a película não é má de todo, pôe ao barulho o Céu e o Inferno..agora, também consegue ter momentos que destroem o filme, principalmente quando Keanu Reaves à ida para o Céu faz literalmente o gesto do dedo ao Lúcifer enquanto este o vê a ir para o Céu!
Só faltava o Diabo morrer enrolado a uma bandeira dos E.U.A, ou assim!

AG

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

O Homem que não sabia bem o que queria
Sempre se remeteu ao silêncio dos desejos e à vontade muda de querer mudar, talvez por não gostar do sabor salgado das lágrimas que nunca desejou imaginava apenas, muitas vezes sem sequer se aperceber, como é que todos os momentos poderiam passar-se se fosse outra a voz que lhe sussurrava ao ouvido…mas acordava no momento em que se tinha que se lembrar do seu nome.

Unicamente guardou na memória os instantes em que podia ter mudado de rumo pois não mais teve hipótese de o fazer. Permaneceu solitário na batalha que travava, já sem haver guerra…
TF

A Noiva em Fuga

Fizeram uma promessa um ao outro de nunca se despedirem. Dia após dia e noite após noite, quando cada um seguia para o seu sítio nunca diziam palavras como adeus ou até já, e apenas se contemplavam silenciosamente.
Tornou-se tão automático que era cumprido escrupulosamente.
Um dia como outro qualquer, após o café rotineiro, ela não olhou para ele e disse-lhe adeus. Não foi propositado. Saiu-lhe da boca aquela palavra sem ela ter pensado conscientemente nem a ter programado.
Ele percebeu. Mas já era tarde. Os homens percebem sempre tarde demais que as coisas acabaram. Deixam-se ir e pactuam. Fingem não acreditar.

Ela já se tinha ido embora muito antes do adeus.

GJ

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Sugiram:
um livro,
um filme,
uma música.
Nos comentários.

Minha sugestão para esta semana:
Che Guevara: A Revolutionary Life - Jon Lee Anderson,
Os diários de Che Guevara - Walter Salles,
Buena Vista Social Club - Hasta Siempre Comandante Che Guevara.

Júlio

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Tenho fome.


Passeio entre papeis com riscos e ambições de formas como se estivesse a procurar-me…
Anseio o momento de me tornar, ao menos que seja!, feliz por terminar esta etapa.
TF

Falar...
falar... conversar...
Tão bom!
Júlio

terça-feira, fevereiro 22, 2005

É que tudo é medido e pesado, composto ou desinfectado, articulado em mil e uma formas para que nada escape…

…mas acaba sempre por falhar um bocado de mim como se sobrasse uma peça. Ao contrário da máquina, forte e robusta mas criteriosa à unidade, continuo a funcionar e acabo por acumular peças na ânsia de construir um novo engenho…
TF

Lamento a asneira que fiz.

Júlio

domingo, fevereiro 20, 2005

Já votei.
Sabe tão bem!
Júlio

Disseram-me hoje numa discoteca:
"tenho lido o teu blog! é um blog de esquerda!"
Que fique claro. O blog não é de esquerda nem de direita, muito menos de centro! :)
Eu sou de esquerda. O TF, GJ, JB e AG serão do que quiserem ou puderem ser. O blog não tem agenda política.
Júlio

sábado, fevereiro 19, 2005

Recordo o sabor da tua pele.
Júlio

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

E como

estamos prestes a entrar em período reflexivo aqui deixo o meu desejo:
uma estrondosa derrota da direita.
Júlio

E depois de tanta merda...
o Pacheco Pereira diz que vai votar no Santana. Ou melhor... Ele desculpa-se dizendo que vai votar no PSD, para depois poder ter o poder moral para se candidatar ou para ser achado para opinar dentro do partido para a sua próxima direcção...
É preciso ser hipócrita..... muito hipócrita...
Tanto tempo a bater no Santana e agora vai votar nele...
Parece que o segundo (e às vezes primeiro) partido português vai continuar na mesma... Uma vergonha. Uma vergonha.
Júlio

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Lúcia - Lotação esgotada
A discrição e o “seu papel de mulher simples” foram recordadas como virtudes da religiosa, no entanto a sua despedida contrastou com a humildade da “pastorinha”. Quem lhe encenou a vida lhe encenará a morte, assim como vejo, como só eles sabem fazer. Salve-se a sua vontade de querer ser sepultada, pelo menos um ano, no Carmelo de Santa Teresa.
Não pela falta de fé mas porque o espaço era pequeno para tantas almas, milhares de pessoas ficaram debaixo do firmamento, no Largo da Sé Nova, rezando para que Lúcia encontrasse no céu os seus primos. Já a lotação tinha esgotado há muito quando mais um carro se aproximou e qual não é o espanto dos “excluídos” quando os cidadãos José Castelo Branco e a sua mulher Betty, reconhecidos praticantes da fé e da simplicidade de vida, entram sem qualquer tipo de entraves. Com certeza teriam pedido a Nobre Guedes que lhes guardasse dois lugares.
De entre os peregrinos indignados sobressaia a voz de uma mulher “O meu falecido marido era primo em 2º grau…e eu sou da família e não me deixaram entrar!!”. Provavelmente foi uma das que, mês e meio antes, deu a vitória ao Conde de White Castle…
TF

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Pausa (no estudo) estratégica

Entre a Fibrose Pulmonar Idiopática (IPF) e a Linfangioleiomiomatose (LAM) liguei a televisão a tempo de ver Santana Lopes, visivelmente abatido, a cancelar as festividades do seu partido e a declarar um intervalo na sua campanha.
Concedia liberdade para que os outros partidos continuassem, mas por ele já não conseguia festejar...

E assim vai a vida neste pequeno Portugal Queirosiano, no momento em que morre a última das videntes de Fátima, a única dos três que viu,ouviu e comunicou com a Virgem Maria.

GJ

A minha vizinha Lúcia

A quase totalidade da minha vida passei-a em frente ao convento das Carmelitas onde um dia me disseram ser a casa da irmã Lúcia, aquela que tinha visto a Senhora.
Como vivia num prédio grande, espreitava por vezes para os espaços abertos daquele sítio na esperança de a ver a passear ao ar livre ou a ler um livro ou talvez, quem sabe, a conversar com as outras irmãs da sua ordem.
Como seria viver perto daquela mulher? O que teria ela para dizer aos outros? Será que nos enchiam de fé as palavras mágicas que saíam de sua boca?
Mas, hoje sei que o único livro que podia ler era a Bíblia Sagrada, que nunca passeava pelos quintais livremente e que quase nunca falava (talvez só com autorização superior). O que disse e o que escreveu aparentemente torna mais difícil a sua canonização.

Por isso talvez Lúcia, agora menina outra vez, tomada pela mão da Virgem,como lhe foi prometido, prefira não ver, e sentir só para si...

GJ

Ambos os partidos querem ser governo, para isso prometem medidas populares, mas quando realmente forem governo, para endireitar o país terão de tomar medidas extremamente impopulares!
Contradição interessante esta.

AG

Prenda para o Bruno

É a t-shirt da moda! :)
Júlio

Homenagem a Carlos Paredes
16 de Fevereiro, 21h30, auditório do ISEC
entrada gratuita

Júlio

Ainda sobre as aparições...

Júlio

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Lúcia
Mais uma vez, neste país, a morte parece que tudo apaga. Lúcia, a Irmã Lúcia, representa para mim, mais um dos abjectos episódios da ICAR. Activa e passivamente. Activamente porque participou no delírio colectivo que constituía uma aparição da virgem maria no cimo de uma azinheira... E foi uma das principais peças desse episódio. Passivamente porque depois disso, foi usada pela ICAR para fins políticos (manutenção da influência da ICAR no estado português, adjuvante no estado novo, etc.). Claro que pagou caro (o Bruno tem um exemplo) o preço do papel que representou e do qual, a certa altura já não a deixaram afastar-se.
Júlio



Damo-nos Valor por o que Pensamos, em vez de que por o que Fazemos

Não é no individualismo que reside o nosso mal, mas na qualidade desse individualismo. E essa qualidade é ele ser estático em vez de dinâmico. Damo-nos valor por o que pensamos, em vez de que por o que fazemos. Esquecemos que o não fizemos, não o fomos; que a primeira função da vida é a acção, como o primeiro aspecto das coisas é o movimento.

Dando ao que pensamos a importância de o termos pensado, tomando-nos, cada um de nós a si mesmo, não, como dizia o grego, por medida de todas as coisas, senão por norma ou bitola delas, criamos em nós não uma interpretação do universo mas uma crítica do universo - que, como o não conhecemos, não podemos criticar - e os mais débeis e mais desvairados de nós elevam essa crítica a uma interpretação - mas uma interpretação imposta como uma alucinação; não deduzida, mas uma indução simples. É a alucinação propriamente dita, pois a alucinação é a ilusão prendendo num facto mal visto.

Fernando Pessoa (Barão de Teive), in "A Educação do Estóico"
TF

O consumismo desenfreado conseguiu preverter mais esta data, não deixa de ser um dia igual aos outros mas se estivesses perto de mim não deixarias de receber uma destas

AG

Listening to
Klazz brothers and cuba percussion - air
Júlio

domingo, fevereiro 13, 2005

Apetece-me dizer nesta cor, que gosto de ti.
Júlio

sábado, fevereiro 12, 2005

Expõe-te à Arte!


Júlio

Recomendado pelo Mal

BLOW UP

Tenho fotografias que provam
que nunca exististe.
Pedro Mexia - "Vida Oculta"

Júlio

"o anão está a comer o bócio ao senhor"

Psych
Acabei hoje mais um estágio. Psiquiatria. Ou como eles gostam, saúde mental. Aquilo de saúde terá pouco... Mas foi muito interessante por várias razões. Nunca assim vi um tão bom ambiente num serviço, tive mesmo pena de ter vindo embora. E acabei por criar laços com algumas doentes. Não sei até que ponto isso será bom. Serviu para me aperceber que todos, repito, todos, um dia lá podemos ir parar.
Júlio

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

O computador chegou de novo ao aconchego do lar.
Que bom...
Júlio

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Não fossem outros sorrisos e ele teria de passar a ir de escadas…

Já foi há algum tempo mas ao voltar a perguntar-lhe disse-me "Há aqui alguém no prédio que tem o seu perfume. Sinto-o cada vez que entro no elevador."...respondi prontamente "Não é justo!, tu não pediste para chorar..."
TF

sábado, fevereiro 05, 2005

Tou de mimos...

TF

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

"Quando te sentires perdida, fecha os olhos e sorri
Não tenhas medo da vida que ela vive por si!"

Com uma côr ja gasta, pelo passar do tempo, continua naquela parede onde sempre esteve, a cumprir a função que sempre teve.
Boa sorte Dra, começa hoje uma nova viagem.

AG

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Isto é tudo um jogo, não é!?

Mas...então para quê tantos dados!??
TF

Confere-lhe um sorriso…

Na imensidão dos factos, repetitivos e geométricos até à exaustão, a magia parece espreitar a partir da excepção.
Tudo parece tão calmo que até mete medo…
TF

segunda-feira, janeiro 31, 2005

C l o s e r



"- You women don't understand the territory... because you ARE the territory." - LARRY (Clive Owen)

"Have you ever seen a human heart? It is like a closed fist wrapped in blood." - LARRY (Clive Owen)

"I know who you are. I love you. I love everything about you that hurts." - LARRY (Clive Owen)

"Where is this "love"? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words." - ALICE (Natalie Portman)

"What's so great about the truth? Try lying for a change - it's the currency of the world." - DAN (Jude Law)



The Blower's Daughter - Damien Rice

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'T il I find somebody new

TF

Prova Final

TF


TF

domingo, janeiro 30, 2005

Post anti-vegetariano


Júlio

Vamos ser amigos?
Júlio

sábado, janeiro 29, 2005

Closer IV

Todas as perguntas que Larry faz quando descobre que foi traído são todas as perguntas em que qualquer homem pensa quando atormentado pelo espectro da possibilidade de traição. Mas que não tem coragem de fazer.
Júlio

Closer III
É um filme brilhante, mexeu comigo. Confrontei-me naquela sala de cinema com algo que não esperava.
Os locais obscuros do ser humano são postos a nú, e revelam-se-nos tão familiares...
É assustador, mas a vida é mesmo assim. Amadurecimento... Será?
Ou então é apenas o que a tagline do filme diz: "aquele que se apaixona à primeira vista nunca deixa de olhar".
Júlio

Closer II
"That's the spirit. Thank you. Thank you for honesty. Now fuck off and die. You fucked up slag."
Júlio

Closer I
The red light was on and she kept walking.
Júlio

sexta-feira, janeiro 28, 2005

O vaso de Barro

Lembro-me das tardes infindáveis, sentado num banco e de ver as crianças passarem, muito doentes, por mim.
De entrar de dia e de sair já noite.
Lembro-me daqueles "são só cinco minutos" que afinal eram horas. Daquele ar que se respira e que não se consegue descrever.
Lembro-me da enfermeira que me fazia os pensos quando fui mordido por um peixe aranha e lembro-me do natal dos hospitais.
Lembro-me do Professor Torrado e da Balbina e dos meus adenoides de Waldeyer.

Lembro-me do Professor Mota me ensinar a pensar Pediatria e nunca me esqueço de ler todos os dias o seu blog.

GJ

À Noite...

Acordo de noite suado após um pesadelo que se vem tornando repetitivo. Aquela voz que não se cala e que está sempre a cantar:

Oh, sinner man, where you gonna run to?

GJ

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Tá na altura de as pessoas que conheço saberem que escrevo num blog. Há um ano e picos...
Let's go public!
Júlio

" Se soubesse que as coisas iam deixar de existir, teria tentado lembrar-me melhor."

Lido por GJ

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Quem serão elas?
Júlio

Se tiveres um minuto...

Deparei-me com uma árvore caída
Senti os seus ramos a olhar para mim
É este o lugar que nós amávamos?
É este o lugar com que eu tenho sonhado?

E se tiveres um minuto porque não vamos
Falar sobre isso para um sítio que só nós saibamos?
Isto pode ser o fim de todas as coisas
Então porque não vamos para um sítio que só nós saibamos

KEANE "Somewhere Only We Know"
Tradução livre por GJ

Alma do negócio
Pela porta de trás, em segredo... Schhhhiu... Ninguém nos vê...
A luz acende, a luz apaga.
Na escada.
No terraço.
Em ti.
Júlio

Eu queria que houvesse uma esquerda em Portugal que sonhasse que poderia mudar o mundo.
Era nessa que eu votava.
Júlio

terça-feira, janeiro 25, 2005

Universidade de Coimbra e Direcção Geral ou Como ter sucesso em 5 pontos

1) Bebe sempre mais do que podes, farás muito mais amigos
2) Nunca vás às aulas
3) Nunca pagues um bilhete geral, pede sempre a um amigo que te arranje
4) Aparece sempre na magna para toda a gente te ver (nunca antes das 4 da manhã porque senão não votas e é tempo perdido)
5) Se não tiveres ideias para melhorar nada, fores um absoluto zero, uma nulidade intelectual e quiseres ser aplaudido numa dessas magnas,diz mal do Reitor.

Distribuído pela DG-AAC e lido como Juramento na tomada de posse dos novos orgãos dirigentes

GJ

Fuga

Vamos fugir para um local distante sem nada dizermos a ninguém.
Tu pegas na mala e eu escolho alguma roupa.
Não haverá tempo para despedidas.
Jamais voltaremos a este sítio e tudo o que vivemos será recordado apenas em sonhos esquisitos.
Quando chegarmos ao destino escolhido vou ficar a olhar fixamente para ti.

E quando me cansar venho-me embora e não me despeço de ti.

GJ

A mentira.

Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?

Que é, vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz ?

Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.

Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.

Alberto Caeiro "O Guardador de rebanhos"

Tarde demais

Quando era criança e subia aquele outeiro no caminho para casa via-te a passeares pelos campos. De vez em quando olhavas para mim, ao de leve, como uma mulher olha para uma criança curiosa. Nunca falámos ou trocámos comprimentos e e durante muito tempo deixei de te ver.
Algum tempo depois vi-te com um homem. Seria o teu namorado? Ele sussurrava-te palavras aos ouvidos e tu rias-te daquela maneira só tua e instantes depois toda a tua cara exibia aquele sorriso esplendoroso pelo qual um homem se apaixona e jura amor eterno.
Era nesses momentos que eu mais queria que tu fosses minha. Queria ser eu a dizer-te aquelas palavras, queria ser eu a arrancar-te aqueles sorrisos, queria que fossem os meus braços que estivessem à tua volta, queria sentir a tua pele contra à minha e os teus lábios junto aos meus. TU nem sabias quem eu era. Todas as memória nossas eram apenas minhas, todos os momentos que partilhámos apenas meus.

Mas um dia demos beijos e trocámos juras de amor. Tudo passou a ser realidade e verdade e eu falava-te do destino e do Futuro enquanto tu citavas Pessoa e Florbela, mas tínhamos envelhecido e o tempo tinha-nos mudado. Eu já não olhava tanto para ti e tu já não sorrias daquela maneira e ambos sabíamos disso.
Foi então que percebi que há momentos para tudo na vida. Alturas certas que quando passam já não voltam, oportunidades que perdemos e já não voltam a apresentar-se.Era tarde demais para nós.

Para mim serás sempre aquela rapariga no outeiro e aquela mulher nos braços do outro!

GJ

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Nuvem de fumo.
Este serviço é assim.
Júlio

domingo, janeiro 23, 2005

Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.

Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias:
os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade, uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.

E já te disse:
as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade

Daqui.

Júlio


sexta-feira, janeiro 21, 2005

Não há pior dor do que a do fracasso pessoal.
Júlio

Cabrão. Eu sou um cabrão.
Júlio

O Bruno neste post, é contra a honestidade que leva numa relação a dizer tudo, a toda a hora. Eu costumava não pensar assim. Nunca obviamente fui estupidamente sincero ao dizer: "a tua amiga é boa como o milho" mas penso ter por vezes passado os limites. Lá está: não tinha a sensibilidade de pensar na outra pessoa e pesar a importância da necessidade de honestidade no caso em questão.
Não adquiri essa sensibilidade. Sim, eu faço feridas por tuta e meia.
Júlio (agora trato-me por tu: só Júlio)

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Porque será que só quando estamos mais em baixo temos vontade de postar?
Quando a vida corre bem, tudo às mil maravilhas, nem tempo se tem para vir aqui...
Depois, tudo muda, e este ponto de indefinição e em que não se sabe o que se quer da vida e em que não se sabe se se está triste ou se se está feliz é aquele ponto em que só aqui tudo faz sentido.
Enfim... Nada que muitos outros bloggers não sintam, right?
JC

Estou de volta. Há um ano e alguns meses comecei, agora está na altura de continuar.
JC

quarta-feira, janeiro 19, 2005

B-A-BA…
Fechada e sem rótulo descobri-te num dia de festa
Conheci-te entre recordações e palavras que há muito não distinguia
Fui ganhando, fui tentando entender-te…
Conquistaste-me e nunca soubeste que talvez por eu nunca te ter conseguido ler
Terias que recordar-me de como era no início…
TF

terça-feira, janeiro 18, 2005

[...]

Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.

Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.

Alberto Caeiro, O PASTOR AMOROSO

No MoMa em Nova york

Estive em Nova York quando era jovem e ainda tinha fé nas coisas.Queria conhecer a cidade de uma ponta à outra, ir aos Museus, desvendar os segredos encriptados nas obras,ler biografias,falar com as pessoas.Li os 3 poemas do Brecht sobre a América, como era da praxe, e fiz as malas.
Acordei cedo no primeiro dia e fui à Barnes and Noble na Union Square onde folheei uns livros e comprei um pequeno caderninho onde anotei todos os pormenores da viagem (atitude que aprendi com o meu velho). Daí dirigi-me para a 5ª avenina tomando a Broadway. Percorri-a a pé desde a rua 18 até à 53.
Quando cheguei ao Museu de Arte Moderna (MoMA) eram 10 horas locais. À entrada estavam inúmeros posters italianos de filmes: Casablanca de Michael Curtiz, Rear Window com James Stewart e Grace Kelly e em grande plano o La Dolce Vita do mestre Fellini com o Mastroianni e Anita Ekberg. Daí fui para a pintura e entre o Confetti de Toulouse-Lautrec e o Zapata de Diego Rivera vi o quadro de Miró: The beautiful bird revealing the unknown to a pair of lovers.
Fiquei naquele museu durante sete horas e senti que não tinha visto um décimo do que me oferecia. Mas quando saí de lá um quadro não me saía da cabeça. Era um quadro de Gauguin, aparentemente fazia parte de um projecto que nunca foi concretizado e foi inspirado em viagens do artista ao Tahiti. O seu nome era Te Faruru (Here we make love).
Quando estamos diante de quadros tão grandiosos sente-se um leve arrepio na espinha (seja lá o que isso é) , é daqueles momentos que queremos sempre partilhar com alguém. No MoMA o que salta em primeiro lugar à vista nem são os quadros, as esculturas, a magnífica arquitectura e a perfeita delineação do espaço, mas sim a quantidade de homens e mulheres sorridentes e apaixonados que percorrem aqueles corredores de mão dada e irradiam felicidade sem se aperceberem. O que poderá haver de mais belo no mundo que estar com a mulher que se ama num covil de amor que é o MOMa.
E foi então que me fui embora, sozinho como tinha entrado, mas já sem fé nas coisas.
Gustavo


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